10 de Janeiro de 2018

Durante Simpósio realizado pelo Sebrae-SP, mais de 200 participantes conhecem as novidades e ampliam rede de contatos

Na era da conectividade, mobilidade, criatividade e inovação, os desafios são muitos e exigem que todos, educadores, alunos, empreendedores, lideranças tenham uma nova postura. Exigem que cada um seja protagonista. Não há mais espaço para o simples espectador.

Este foi o tema que balizou os debates do 4º Simpósio de Educação Empreendedora, promovido pelo Sebrae-SP no último dia 21 de novembro, na Escola de Negócios Sebrae-SP Alencar Burti, e que reuniu mais de 200 pessoas, entre professores, gestores de escolas e faculdades e empreendedores na área de educação.

Segundo Mirza Laranjera, coordenadora da unidade de Cultura Empreendedora do Sebrae-SP, o evento foi pensado para “aprofundar o debate sobre empreendedorismo e educação, cada vez mais presente nos dias de hoje e para compartilhar experiências e conhecimentos, ampliando a rede de profissionais e especialistas que desejam educar para o protagonismo do aluno”.

Para Mauro Pedro Lopes, administrador, psicólogo e especialista em empreendedorismo pela Babson College, dos Estados Unidos, este debate é fundamental e tem que ser amplificado. “A escola é o melhor lugar para exercer o protagonismo. Ali se pode aprender muito com os erros, num ambiente mais controlado, minimizando os efeitos de um erro quando estiver no mercado”.

A doutora em filosofia e especialista em políticas públicas, Viviane Mosé, que apresentou a palestra Tripé Trabalho, Educação e Empreendedorismo – Construindo o Hoje e Amanhã, destacou a importância da escola na formação de empreendedores e cidadãos, desde o ensino básico. “O ensino de empreendedorismo no ensino fundamental para que os jovens do ensino médio e da universidade já venham com esta cultura e possam de fato empreender com sucesso”.

A presidente da Associação Nacional de Estudos de Empreendedorismo e de Gestão de Pequenas Empresas, a psicóloga e pesquisadora em educação empreendedora, Rose Mary Lopes, concorda. Para ela, já está mais que comprovado que é possível aprender a empreender na escola. O desafio agora é conectar toda a rede para que isso aconteça. “As pessoas que promovem o processo educacional – professores, coordenadores, diretores – têm que acreditar na educação empreendedora como ferramenta de desenvolvimento potencial das crianças e dos jovens. Somente assim teremos resultados”.

Durante o simpósio, especialistas debateram como colocar toda teoria que está consolidada em prática nas escolas. Para Newton Campos, diretor e pesquisador líder da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), a utilização da tecnologia e da inovação é o caminho. “Hoje já existem diversas tecnologias acessíveis e simples para ensinar e explorar de forma pragmática as diversas questões do desenvolvimento do empreendedorismo”. Segundo ele, celular, games têm uma tecnologia embarcada que crianças e jovens dominam plenamente e podem ser ótimos instrumentos de ensino.

Sidnei Oliveira, idealizador do Café Insights, um espaço de compartilhamento de ideias e conhecimentos, acredita que aprender a empreender na escola vai exigir, mais que tecnologia, novos educadores. “É importante ter professores que ajudem os alunos a enfrentar as frustrações do processo e a aprender com as próprias cicatrizes”.

O estado de São Paulo já possui uma rede destes profissionais da educação focados no ensinar a empreender. Por meio de parcerias com secretarias de educação do governo e dos municípios, o programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos está presente em 250 escolas urbanas e rurais, com 1200 professores capacitados e quase 80 mil alunos envolvidos com a educação empreendedora.

Durante o Simpósio, os participantes conheceram as experiências dos municípios de Teodoro Sampaio, que instituiu uma lei que coloca a educação empreendedora como ponto focal da rede pública de ensino, e de Caraguatatuba, que tem mais de 4 mil alunos recebendo a metodologia do programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos.

Também puderam trocar experiência no ensino médio com um professor de Araçatuba, participante do programa Trilha Empreendedora, resultado da parceria entre Sebrae-SP e a Secretaria de Educação do Estado. No total 159 escolas de tempo integral, de 64 municípios aplicam o curso. São quase 500 professores e 4 mil alunos capacitados.

Ao final das oito horas de evento, os participantes deram nota máxima para o Simpósio. Para Noeli Caldeira Martho, diretora do Departamento de Formação de Jundiaí, ‘o dia foi de aprendizado bastante significativo, com palestras de alta qualidade”.

Para Paulo Anaya, da Opensenses, startup paulistana de tecnologias em acessibilidade voltada ao o evento foi uma ótima oportunidade de atualizar conhecimentos e aumentar o newtwork “porque a todo momento pudemos interagir com especialistas e os profissionais da área de educação”. Já o empreendedor Diogo Cunha, da Digo, cursos e projetos de automação, com base em São José do Rio Preto, viu no evento uma espécie de ‘mentoria’. “Vou levar muita coisa daqui para auxiliar no planejamento da empresa para os próximos anos”.

Definitivamente educação e empreendedorismo têm mais em comum que começar com a letra ‘e’.

Acompanhe alguns momentos importantes e depoimentos sobre o Simpósio de Educação Empreendedora: